É impossível tentar entender o que realmente se passa na cabeça de certos governantes desse País. É uma pancada atrás da outra em desfavor do povo. O mais recente tapa na ‘cara’, é polêmico e gera muitos debates. Trata-se da portaria que mudou os conceitos de trabalho escravo no Brasil.

A repercussão foi amplamente negativa que a medida durou menos de dez dias e, ainda bem e graças à ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, a decisão, ainda que por liminar, foi suspensa.

A celebração pela queda da portaria tem justificativa. Aquém da proteção ao trabalhador conforme a Constituição exige, a norma também alterava o modo como é feita a inclusão de empresas na chamada “lista suja” do trabalho escravo. Acreditem, nada a favor de quem já sofria com a falta de respaldo e irá sofrer ainda mais caso essa medida se mantenha.

O empregado que já era tratado como coisa, animal, poderá sofrer consequências mais desumanas ainda, se é que é possível. Com liberdade limitada, ou melhor dizendo acorrentada, a norma foi aprovada após uma pressão promovida pela classe produtora também beneficiada com a portaria.

Digo isso, porque a tal ‘lista suja’, que reúne as empresas e pessoas que usam trabalho escravo, passará a depender de uma determinação expressa do ministro do Trabalho. Antes, a divulgação da lista estava a cargo de área técnica da pasta. Mais um desfavor à sociedade.

Essa determinação retrocede nas garantias básicas da humanidade e literalmente dá as mãos para quem explora e deixa subordinados sem água potável, liberdade, remuneração e em condições sub-humanas. Num mundo em que os Direitos Humanos defendem bandido, quem dirá estes senhores ruralistas merecerem respeito ou reconhecimento. Afinal, nada justificam as ameaças de morte feitas por patrões àqueles que derramam o suor em troca de desmandos. O caminho para essas ações, com certeza seria o cárcere.

Oxalá a repercussão, negativa até o momento, seja capaz de reverter uma medida insana como essa que não apenas limita a liberdade, mas traz à lembrança as surras e chicotadas de um período sofrido e pior, fazendo-nos crer que houve a revogação da Lei Áurea sancionada em 13 de maio de 1888, diploma legal que extinguiu a escravidão no Brasil.