Nelson de Souza Lima

“Ei, ei, ei, sempre em frente, ninguém vai segurar. Ei, ei, ei, sentindo a corrente até o freio estourar”. O grudento refrão de “Loco-motiva”, faixa de Até o Freio Estourar”, mais recente álbum dos paulistanos do Kamboja, dá uma ideia do que a banda faz: rock and roll visceral, sem ‘bundamolice’. Como uma locomotiva desgovernada, o grupo formado por Fábio Maka, voz, Edú Moita, guitarra, Eduardo Fiorentini, baixo, e Paulão Thomaz, invadiu a cena roqueira se consolidando como um dos mais criativos surgidos recentemente.

Criado em 2012, as trincheiras kambojanas trazem músicos experientes e bem conhecidos do rock da capital paulista. Fábio Maka fez parte do Proposital Noise, por sua vez Edú Moita e Eduardo Fiorentini integravam o Los Mosqueteros. Agora o mais tarimbado do quarteto é Paulão Thomaz. O cara empunhou as baquetas em várias bandas entre elas Centúrias, Firebox, Cheap Tequila, Baranga e Mano Sinistra. O quarteto mescla o blues ao hard rock em canções que trazem letras ácidas nas quais críticas a uma sociedade desigual dão a tônica. Os riffs e solos desconcertantes de Edú Moita recebem todo o suporte da cozinha bem azeitada. À frente desta usina sonora, Fábio Maka com sua voz rasgada.

Lançado em dezembro de 2016 pela Baratos Afins Até o Freio Estourar traz nove faixas inéditas com porrada atrás de porrada. Produzido por Rogério Wecko, o disco teve boa recepção tanto de crítica, quanto do público. Além da já citada “Loco-motiva” destaque para “Filha dos anjos”, “Janela dos tolos”, “Célia”, “S-21” e “Pra sempre campeão”, uma bela homenagem ao tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna.