Andreza Cristiny que mora Caieiras ficou indignada por não conseguir ter seu filho no hospital da cidade

Andreza Cristiny que mora Caieiras ficou indignada por não conseguir ter seu filho no hospital da cidade

Desde sua inauguração, em 2008, o Hospital e Maternidade de Caieiras é alvo de críticas e reclamações. Seja pela falta de médico, seja pela qualidade do atendimento ou ausência de materiais básicos, a unidade que tem o pronto-socorro administrado pela prefeitura e a maternidade dirigida pelo governo do Estado nunca agradou a maioria dos cidadãos e quem depende da saúde pública para quaisquer tratamentos.

As reclamações são constantes e o jornal Regional News foi um dos canais utilizados para tornar público o descontentamento e aborrecimentos da população que necessita dos serviços médicos, de consultas e exames ou de um atendimento emergencial.

Nos últimos meses, a principal reclamação consistiu na falta de médicos na maternidade, causando vários transtornos em gestantes e seus familiares. Andreza Cristiny Braga da Silva, moradora de Laranjeiras, foi uma a encarar esse problema, em 12 de maio, quando estava em trabalho de parto. Os problemas começaram com o serviço de ambulância, indisponível naquele momento, segundo Andreza. “Estava com contração e alegaram que não tinha ambulância. Mas o pior foi ouvir da atendente que era para eu procurar alguém que tivesse carro para prestar socorro”, disse a parturiente.

Sem ter a quem recorrer, ela foi obrigada a arcar com os custos de um táxi para se deslocar até a maternidade de Caieiras. Ao chegar no hospital, teve outra surpresa desagradável quando foi informada pelo vigilante que não tinha médico e que era para procurar atendimento em outra unidade. “Nem pudemos entrar no hospital. Eu e minha mãe fomos praticamente barradas por esse porteiro e acabamos indo para Parada de Taipas, em São Paulo, onde tive meu filho, com um atendimento muito bom por sinal”, falou Andreza, revoltada por ser caieirense e não conseguir dar a luz na cidade onde reside. “Pagamos impostos aqui e registrei minha filha em outra cidade. É inaceitável isso. Ainda mais quando o município é administrado por um médico”, concluiu a mulher.

Fabiana Dias Paolielo foi outra cidadã que enfrentou situações desagradáveis com a falta de médicos. “Cheguei na unidade com a bolsa rompida e as portas da maternidade estavam fechadas. Então tive de ir para Francisco Morato e por pouco meu filho não nasceu na rua”, falou Fabiana.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo foi procurada e informou que no último ano foram realizados mais de cinco concursos públicos para a contratação de médicos, porém não houve candidatos suficientes para a reposição dos mais de 15  médicos que solicitaram desligamento no mesmo período.

Alegou também que quando a unidade não dispõe de equipe médica suficiente para o atendimento, a paciente é orientada e encaminhada ao pronto-socorro do município localizado no andar térreo do mesmo prédio, já que a prefeitura dispõe de contrato com o Hospital de Clínicas de Caieiras, que referencia essas gestantes, após encaminhamento do PS municipal.

Quanto à ação dos vigilantes de orientar pacientes a procurarem atendimento em outras unidades, explicou que o encaminhamento nunca deve ser feito pelo “vigilante” da recepção do hospital estadual e que será averiguado possível descumprimento do fluxo institucional.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Caieiras foi procurada, mas não mandou resposta até o fechamento da edição.

Vereador culpa ‘invasores’ por problemas na saúde

Vereador Álvaro Berti criticou os ‘invasores’ publicamente

Vereador Álvaro Berti criticou os ‘invasores’ publicamente

Líder do prefeito na Câmara Municipal, o vereador Álvaro Berti tratou do assunto saúde pública de Caieiras na última sessão ordinária realizada na terça-feira, 20.

Durante seu pronunciamento, na tentativa de qualificar o setor e defender o Executivo, Berti falou que o problema de saúde no município está relacionado aos ‘invasores’ de cidades vizinhas que buscam atendimento no hospital público de Caieiras.

A atitude do parlamentar promoveu discussão e vários comentários negativos que repercutiram em redes sociais sobre a infeliz colocação feita por um representante do povo que parece desconhecer a lei e o significado de SUS, Sistema Único de Saúde, segundo os internautas. Em várias anotações, ele foi taxado de ignorante e virou motivo de chacota.

O vereador foi procurado e disse ter se baseado em dados da Secretaria Municipal da Saúde para falar na tribuna. “A palavra invasão não foi para atacar ninguém, mas para explicar que, dos quase 750 atendimentos diários, mais de 500 são de fora, sendo a maioria de Franco da Rocha. Na minha opinião, se cada cidade cuidasse do seu paciente, o problema seria menor”.