Conveniente à época, a generosidade de Joesley Batista parece que caiu por terra com novas gravações feitas por ele mesmo que vieram a público com ele zombando da Justiça e de pessoas envolvidas neste esquema de corrupção que está longe do fim.

Envolto por polêmicas, a delação premiada do grupo J&F incluiu a entrega de gravações e documentos à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo que comprometiam o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Na ocasião, a atitude tomada por Joesley garantiu a ele e ao irmão a possibilidade de não usarem tornozeleiras eletrônicas e dez anos para pagar uma multa de R$ 225 milhões.

O que muitas pessoas envolvidas no processo, inclusive o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não perceberam ou fizeram que nada tinha a ver com o fato do empresário ter aceitado o acordo que seria conveniente a ele e ao grupo devido à operação carne fraca, que chegava cada vez mais perto da dupla.

O interesse pelos negócios prevaleceu na maior empresa de carne do mundo, por muito tempo ajudada pelo crédito fácil, barato e oficial do governo Lula, também interessado em derrubar o presidente Temer.

Mas a casa caiu e com ela a autoconfiança, desprezo pela Justiça e o exibicionismo. Janot também entendeu ou foi obrigado a entender que a troca foi desigual e agora se vê forçado e retirar de Joesley os benefícios da delação.

O empresário por sua vez não esperava por essa e, na auto gravação, zombou do judiciário e demais órgãos. Na tentativa de desviar o foco e se livrar, ameaçou entregar novas gravações com a condição de que os benefícios da delação feita em maio seja mantida. Rabos presos consigo são mantidos em todas as esferas, tornando os réus confessos e desastrados, poderosos negociadores de segredos e negociatas de políticos.

Ao povo brasileiro basta esperar por cenas dos próximos capítulos. O que não se pode é permitir que a maior e audaciosa operação anti-corrupção que já se pôde ver vingar no Brasil, a Lava Jato, ofereça a sensação de impunidade para alguns, diga-se de passagem, o mesmo sentimento que sempre prevaleceu na busca pela verdade quando da prática de qualquer crime nesse País.

Esse é mais um caso que nem toda generosidade pode ser levada a sério, ainda mais quando se trata de pessoas como esse e outros empresários e políticos dessa estirpe que vem tendo seus nomes ligados a falcatruas e negociatas espúrias. Foi generoso demais para ser verdade e a dúvida paira no ar.