Gildalberto contraiu a doença e reclamou do descaso e despreparo das autoridades

Gildalberto contraiu a doença e reclamou do descaso e despreparo das autoridades

Depois de Mairiporã que teve um surto de dengue entre os meses de fevereiro e março deste ano, casos foram registrados nas cidades de Caieiras e Franco da Rocha. Esta semana, pelo menos dez famílias entrevistadas pelo jornal Regional News confirmaram terem contraído a doença transmitida pela picada do mosquito aedes aegypti.

Segundo os cidadãos, a situação é mais grave do que parece. As pessoas pedem às autoridades uma ação mais rigorosa para evitar que o problema se agrave.

Em Franco da Rocha, grande parte dos moradores do final da Avenida Giovani Rinaldi, no Parque Vitória, contraíram a dengue. Na casa de Gildalberto Lopes de Medeiros, além dele, a esposa, a filha e a sogra foram diagnosticadas com a doença. “Passamos um sufoco, porque todos nós ficamos doentes praticamente no mesmo período”, falou Gildalberto. “Aqui nessa avenida e ruas adjacentes muitas pessoas ainda estão com dengue e as autoridades tentam abafar a situação. Dizem que não podem alarmar”, concluiu.

Moradora no bairro, Valdirene Ferreira de Melo, também foi picada pelo mosquito e relatou o drama enfrentando com os sintomas. “Todos os casos foram diagnosticados na mesma época. Quase todos da rua pegaram dengue. Passei por momentos difíceis por causa dos sintomas, com dor de cabeça e no corpo e febre”, disse a cidadã.

Já na casa de Vera Lucia Cardoso dos Santos, a filha de 19 anos que enfrentou o problema. Ela cobrou uma ação mais efetiva da prefeitura no sentido de fiscalizar e prevenir a proliferação do mosquito. “Sabemos de focos dentro e fora das residências, mas nenhuma providência foi tomada até o momento para minimizar a questão”, relatou Vera.

Com cinco casos na família, Iraildes Carvalho se desesperou com a situação. “Meus três filhos, meu neto e a namorada dele estão infectados. Estamos perto de Mairiporã onde ocorreu um surto e as autoridades franco-rochenses poderiam ter se preparado para evitar que chegasse aqui. Mas parece que não foi isso que ocorreu. Orientação só não basta. É preciso ação”, cobrou a munícipe.

Pneu jogado em terreno ao lado de quadra esportiva em bairro de Caieiras armazena água parada

Pneu jogado em terreno ao lado de quadra esportiva em bairro de Caieiras armazena água parada

Em Caieiras, a família de José Eduardo Bertassolli e de mais moradores foram diagnosticados com dengue no bairro do Morro Grande. “Eu, minha esposa e minha filha fomos atingidos. O pior foi o sufoco de aguentar os sintomas. Porém, a maior indignação fica por conta da falta de atenção das autoridades caieirenses. Nenhuma ação foi tomada pela prefeitura e vigilância sanitária, acionadas várias vezes”, falou Eduardo.

De acordo com sua esposa, até o médico que descobriu a doença em sua filha fez uma carta e encaminhou a vigilância sanitária relatando a questão, no entanto ninguém apareceu no bairro. “Precisamos de uma ação urgente no Morro Grande. São vários focos dentro e fora dos imóveis”, falou ela.

Outro ponto importante citado por Eduardo é em relação à obra inacabada da quadra de esportes do bairro que acumula lixo, mato, pneus e demais situações que promovem a proliferação do mosquito. “Não passa um funcionário aqui para analisar a situação. Lá na quadra mesmo deve ter focos do mosquito. O Morro Grande está abandonado”, disse o cidadão.

Atendimento

Tanto nos casos de Franco da Rocha como em Caieiras, as pessoas que precisaram de avaliação médica reclamaram do atendimento. Os franco-rochenses recriminaram a recepção ofertada na UPA, Unidade de Pronto Atendimento, e na “Cidade dos Pinheirais”, os reclamos foram direcionados ao pronto-socorro do Hospital Municipal.

As críticas foram voltadas à falta de atendimento emergencial nos casos de dengue que, segundo eles, exigia uma maior atenção por se tratar de uma enfermidade que pode levar à morte. “A impressão é que eles não estavam preparados para estes atendimentos. Receitar soro e mandar para casa não é solução”, disse Eduardo sobre o PS de Caieiras.

Gildalberto que procurou socorro na UPA reclamou da forma que foi tratado pelo clínico. “No primeiro atendimento disse que era uma virose e mandou para casa. Como não melhorei voltei à unidade que confirmou a dengue. Não seria possível um diagnóstico com exames mais detalhados na primeira avaliação?”, questionou Glidalberto.

Apesar de contabilizar quase dez pessoas em apenas uma rua de um único bairro durante as entrevistas feitas pelo Regional News, a assessoria de imprensa da prefeitura de Franco da Rocha foi procurada e informou que, até 19 de março, apenas dez casos da doença foram confirmados na cidade toda que conta com 140 mil habitantes. Relatou ainda que o setor de Controle de Zoonoses e Vetores realiza periodicamente visita a estabelecimentos, mutirões nos bairros e trabalho de conscientização.

Quanto às reclamações voltadas ao atendimento médico explicou que no geral, todos franco-rochenses que procuram qualquer pronto atendimento com a característica da dengue são notificados no Sinan, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, no programa de notificação on line da dengue e que vários procedimentos necessários são tomados junto ao cidadão e ao imóvel.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Caieiras foi procurada e, como de praxe, não responde ao jornal Regional News. Depois que a reportagem contatou a chefia de gabinete, por meio do senhor Valdir Antonio Martins, o profissional de comunicação Alessandro Veloso resolveu informar, por telefone, que os dados serão publicados no site oficial do governo municipal.

A reportagem tentou um levantamento dos casos da região junto à assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde e recebeu como resposta que o setor não tinha nada atualizado.