Rodovia não tem infraestrutura adequada para atender a demanda do tráfego atual, intenso a qualquer hora. Reformas e passarelas são necessárias (Cleber Barbosa)

Rodovia não tem infraestrutura adequada para atender a demanda do tráfego atual, intenso a qualquer hora. Reformas e passarelas são necessárias (Cleber Barbosa)

Um tormento. Essa é a palavra que define a Rodovia Tancredo de Almeida Neves, SP-332, no trecho entre Caieiras e Francisco Morato, nos dias atuais. A revolta é o sentimento comum que aflige os motoristas, pedestres, moradores e até comerciantes que enfrentam, todos os dias, o trânsito e suas consequências na pista, desde a saída do bairro Jardim Esperança, entroncamento com a rodovia e sequencialmente bairro do Serpa, entrada de Franco da Rocha, até o Jardim Vera Tereza, ainda em Caieiras.

Trafegar pelo local em horário normal está difícil e no momento de pico está quase impossível e intolerável. As filas quilométricas promovidas pelo acúmulo de veículos somado à falta de estrutura da via que não atende mais a demanda são problemas recorrentes e que parecem não ter solução.

A situação está tão complicada, que o simples fato de um veículo precisar parar na rodovia por qualquer problema, seja mecânico ou por manutenção, trava todo trânsito e provoca reflexos não apenas na SP-332, mas também dentro do centro urbano do município. Quando o caso é mais grave como um acidente, por exemplo, o problema se agrava e o motorista é obrigado a esperar por horas até a liberação da rodovia.

Rodrigo Alves Oliveira, morador de Caieiras, utiliza a estrada diariamente e falou de alguns problemas comuns. “Não é mais apenas em horário de pico que a situação fica complicada. Não tem mais dia e nem hora. O trânsito tornou-se constante e insuportável. O que mais revolta é que não vimos solução por parte das autoridades e responsáveis pela rodovia”, disse.

Fora do horário de pico, o trânsito fica intenso e apertado nos dois sentidos da rodovia (Cleber Barbosa)

Fora do horário de pico, o trânsito fica intenso e apertado nos dois sentidos da rodovia (Cleber Barbosa)

Uma sugestão apontada pela maioria dos entrevistados, motoristas e comerciantes instalados às margens da pista é a construção de uma passarela e liberação do acostamento como alternativa. “Não existe uma passarela numa via dessa importância. Essa seria uma solução que evitaria vários problemas. Eu mesmo presenciei a morte de uma idosa que tentou atravessar a pista e acabou atropelada. Sem contar que existe uma escola nas proximidades e as crianças e adolescentes correm risco ao atravessar”, falou Alencar Gonçalves.

Irineu Barbosa e Sirlene Santos, moradores no bairro do Vera Tereza e da cidade de Franco da Rocha, utilizam a rodovia diariamente e têm opiniões comuns sobre as lombadas de solo que deveriam ser retiradas para dar mais fluidez ao tráfego. “Essas saliências prejudicam o tráfego e não garantem segurança nenhuma, até porque o trânsito já faz sua parte. A retirada dessas lombadas só facilitaria para um andamento mais contínuo e sem tantas paradas, já que não há como trafegar em alta velocidade. É um caos”, informaram.

Uma proposta apresentada por Elisangela Sanches é a liberação de parte do acostamento da rodovia. “Exclusivamente nesse trecho entre o começo do McDonald’s e o trevo de Franco da Rocha, existe uma confusão. Parte é mão única e parte mão dupla. A incoerência é tanta que ninguém se entende. Que liberem o acostamento pelo menos até a entrada de Franco da Rocha. Acho que isso iria minimizar o problema”, comentou.

A instalação de muitos comércios às margens da rodovia foi mencionado por Israel Rodrigues. “Com a vinda da rede de fast-food, a situação é péssima e se agrava com a questão do privilégio que o mercado Federzoni instalado no trevo do Serpa tem usando o local como acesso de entrada e saída prejudicando todo mundo” O advogado Marcos Renato aponta negligência por parte do Departamento de Estradas e Rodagem. “Não faz muito tempo que mexeram em tudo isso. Eles largaram aqui e não sabem o que os usuários, moradores e motoristas dessas três cidades passam. É o cúmulo e tudo isso precisa ser revisto pelo Governo do Estado, responsável pela administração da estrada”, falou Marcos.

Em dias com acidentes na rodovia reflexo do trânsito atinge ruas de Caieiras  (Celina Peres)

Em dias com acidentes na rodovia reflexo do trânsito atinge ruas de Caieiras (Celina Peres)

Posicionamento
Em busca de esclarecimentos sobre o que a prefeitura de Caieiras vem fazendo em busca de uma solução, o Demutran, Departamento Municipal de Trânsito, explicou que a administração está pleiteando uma parceria com o Estado em busca de soluções que beneficiem a todos.

Uma das sugestões apresentadas pelo Demutran seria asfaltar uma parte do acostamento e liberar a fila dupla para utilização daqueles que vão sentido Franco da Rocha e Francisco Morato. A retirada das lombadas de solo também foi citada.

O DER, Departamento de Estradas de Rodagem, informou que estuda a possibilidade de elaborar ações junto à prefeitura de Caieiras para melhorar a fluidez do trânsito na região.

O órgão também esclareceu que as lombadas de solo, mencionadas pela reportagem, foram substituídas por lombadas eletrônicas e que as ainda existentes estão localizadas próximas a áreas urbanizadas e são necessárias para reduzir a velocidade dos veículos, proporcionando mais segurança aos moradores da região. Sobre a passarela, o DER informou que neste momento não há projeto para implantação de novas passarelas na SP-332.