(Imagem: Divulgação)

Quando morava no Brasil e dançava na companhia de dança de Lia Rodrigues, localizada na favela da Maré, subúrbio carioca, o bailarino Volmir Cordeiro não desgrudava o olhar de figuras marginalizadas que transitavam pelo pedaço. Desta observação atenta criou-se o tema de Céu, espetáculo do artista hoje residente na França e que será apresentado pela primeira vez em São Paulo dias 8, 9 e 10 de setembro, sexta e sábado, às 20h, e domingo, 17h, na Sala de Espetáculos 2 do SESC Belenzinho. O projeto tem apoio do Institut Français.

Considerado por seu criador uma “dança de posturas”, o solo traça uma espécie de parentesco corporal com a imagem dos corpos das pessoas com quem o bailarino cruzava no morro do Rio de Janeiro. Imagens que perdeu de vista depois de sua ida para Angers, cidade a 300 km de Paris. Neste contexto eurocêntrico e com menos inflexões sociais, já não encontrou com tanta frequência as figuras marginalizadas que faziam parte da sua rotina.

No espetáculo de 30 minutos, criado em 2012 como parte do mestrado que concluía na França -, Volmir parte, ainda, da ideia de que o céu é um espaço infinito e sem hierarquias, onde não existe a diferença entre as pessoas. Aliando a esse concento a ideia de se expor, o bailarino convida o público a lhe conhecer. Nessa intenção, dança com um figurino que “veste a nudez”, nas suas palavbras. Trata-se de um collant transparente que vai da barriga aos joelhos, deixando seu sexo à mostra. “É uma roupa que produz estranhamento, porosidade e fricção, além de ser muito frágil, aumentando ainda mais esse aspecto da exposição”, explica o artista.

O tom do espetáculo é performático – parte da ação. Não há uma narrativa tradicional que permeia a obra. A luz escolhida por Volmir também é expositiva e sem movimentos. Na trilha sonora, um desfecho musical que reconecta Volmir ao Brasil: a canção Peixe, dos Doces Bárbaros (grupo musical do período tropicalista, dos anos 1970, composto por Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso e Giblerto Gil), que, com a repetição dos versos “Peixe, deixa eu te ver, peixe, deixa eu te ver, peixe”, também elucida a proposta de aproximação de Volmir com o público.

Céu nasceu no Mestrado em Dança, Criação e Performance, sediado no Centro Nacional de Dança Contemporânea (CNDC), dirigido pela coreógrafa Emmanuelle Huynh, em parceria com Universidade Paris VIII e a Escola de Belas Artes de Angers, na França. Foi com esse espetáculo que Volmir se lançou no mercado da dança como coreógrafo profissional.

Apresentado com frequência na França, o espetáculo esteve em países como Canadá, Cuba, Bélgica, Alemanha e Espanha. No Brasil, Volmir dançou Céu apenas no Rio de Janeiro e em Cuiabá. Depois de passar pelo Brasil, o artista – que esteve em agosto em turnê pelo Chile e Argentina, tem agenda na França, Bélgica e Inglaterra, com outros espetáculos de seu repertório.

Mais informações pelo site www.sescsp.org.br/belenzinho