Não dá para acreditar, mas aconteceu de novo. Mulheres foram vítimas de abuso sexual dentro do transporte coletivo. Em pleno século XXI ver casos como esses é mais que inadmissível, é inexplicável e abominável.
Em menos de três dias, três ocorrências dessa natureza, duas praticadas pela mesma pessoa, foram registradas na cidade de São Paulo, ganharam proporções nacionais e causaram revolta e indignação. Não bastasse a ação em si, mais que nojenta e desprezível, um dos acusados foi solto pela Justiça no primeiro fato e, dois dias seguintes, voltou a aprontar.

Para soltá-lo, embora o rapaz tenha ejaculado no pescoço de uma passageira, o juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto afirmou que não viu possibilidade de enquadrar o rapaz por estupro por não ter havido “constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça”. O acusado, logo após sua liberdade, sumiu por um dia e voltou a praticar atos obscenos dentro de outro ônibus na mesma região. Com mais esse episódio, o fulano acumula, nada mais nada menos, que 17 envolvimentos em crimes de abuso sexual. O primeiro ocorreu em 2009. Mas para o magistrado, nada do que ele fez configurou o crime. Nem mesmo o apelo do pai do acusado para que ele ficasse preso foi suficiente.

Entretanto, não precisou muito tempo para que o rapaz voltasse a ser preso. A decisão do Juiz acabou sobrepondo o crime em si.

Confusões a parte, resta à vítima o acanhamento e um registro que pode marcar por toda vida. O que também não dá para aceitar é uma atitude como esta desse magistrado que, no mínimo, desencoraja o cidadão a procurar a Justiça que deveria ser cega, mas enxerga em meio a venda que cobre os olhos. Sobrou peso e faltou medida. Afinal, se um grupo de pessoas tivesse agredido o acusado, certamente todos seriam enquadrados e culpados.

Mas voltando ao fato em si, no mundo de hoje não é admissível que casos como estes continuem ocorrendo. Nada justifica, tampouco dá permissão ao homem querer se aproveitar de uma mulher. Isso vale para qualquer ocasião e lugar. Seja em casa, seja no trabalho ou na rua. Ninguém pode se apoderar ou achar que pode abusar do outro simplesmente por querer ou se sentir atraído pela beleza ou algo do tipo.

Esses foram apenas mais três casos que vieram à tona por ocorrem em uma grande metrópole como São Paulo, mas fatos como estes devem ocorrer com frequência sem que sejam revelados.

Para piorar a situação que já é inaceitável, a decisão tomada pelo juiz joga um balde de água fria em quem ainda acha que é possível confiar na Justiça. Contudo, é necessário que façamos a nossa parte. Acreditar sempre e desistir jamais.